Que em 2017 haja mais respeito e menos ameaças aos ciclistas

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2016 foi um ano de altos e baixos para as pessoas que utilizam bicicleta em Fortaleza. Tivemos algumas conquistas importantes, como a ciclofaixa da Avenida Domingos Olímpio, que era uma necessidade antiga e que finalmente ficou pronta, já nascendo (atrasada) como uma das estruturas cicloviárias mais utilizadas da cidade, permitindo que muitas pessoas passassem a usar a bike como veículo, pois precisavam passar naquela avenida e antes tinham medo, inclusive por conta dos frequentes atropelamentos de ciclistas, tratados com o típico descaso do Poder Público.

Também conquistamos novos e importantes quilômetros de estrutura cicloviária distribuídos pela cidade, o que aos poucos vem mudando a cara de Fortaleza, fazendo a bicicleta sair da invisibilidade social na qual esteve durante décadas para ocupar um lugar de destaque cada vez maior na sociedade, mesmo que ainda haja muito (muito mesmo) a evoluir.

No entanto, apesar de ter sido um ano de consolidação de conquistas para a bicicleta como veículo na cidade, foi um ano que se destaca pelo elevado desrespeito das pessoas que guiam carros contra as pessoas que guiam bicicletas. Pessoas que muitas vezes, quando estão dentro de um carro, deixam o respeito e a educação do lado de fora e viram potenciais assassinas atrás de um volante.

Prova disso foram os vários os atropelamentos, ferimentos e mortes causados por essas pessoas guiando carros, por puro desrespeito e irresponsabilidade. Algo que sempre aconteceu, mas que devido à invisibilidade social da bicicleta sempre foi ignorado, tratado como acidente, fatalidade, e claro, como culpa do ciclista. Essa invisibilidade tem mudado nos últimos anos, a bicicleta tem sido cada vez mais presente na cidade e as campanhas de respeito ao ciclista certamente já são de conhecimento de toda a população há bastante tempo, especialmente nos últimos anos, porém, nem isso evitou que em pleno 2016 ainda tenha sido extremamente corriqueiro o ciclista ter sua vida ameaçada por motoristas irresponsáveis, que têm plena consciência do que devem fazer para respeitar quem está na bike, mas não fazem.

Daí podemos ver a origem das milhões de finas e fechadas levadas pelos ciclistas de Fortaleza esse ano, e também dos motoristas que param ou estacionam em ciclofaixas, dos que avançam preferenciais, dos que abrem a porta sem olhar pelo retrovisor, dos que buzinam e jogam luz alta quando veem um ciclista na frente, e dos que atropelam, ferem e até matam, e que a imprensa local ainda insiste em chamar de “acidente”.

Atropelamentos esses que em 2016 foram bastante frequentes, tendo alguns casos ganhado destaque, a exemplo da ciclista atropelada por uma motorista guiando um Troller que ainda saiu sem prestar socorro (e ainda tentou pateticamente colocar a culpa na ciclista, claro), também o caso do famoso ciclista Xuxa, que ao desviar de um buraco do asfalto lunar de Fortaleza acabou sendo atropelado por um motorista de ônibus que não deveria estar fazer ultrapassagem naquele trecho, mas sim deveria ter esperado atrás dele até o momento que fosse possível fazer uma ultrapassagem segura (algo que deveria ser o procedimento de qualquer motorista, especialmente um profissional guiando um ônibus).

E tivemos, talvez como símbolo maior de todo o desrespeito presente nas nossas ruas, o caso no menino Kaic, de 12 anos, que foi atropelado e arrastado de dentro de uma ciclovia num domingo de manhã enquanto ia para a igreja com sua mãe. A motorista, guiando sua Land Rover, disse “não ter visto” que vinha uma bicicleta, e mesmo após o impacto, que se tivesse cessado ali não teria gerado grandes danos, arrancou com seu SUV arrastando a criança até a morte pelo asfalto da avenida. Infelizmente, mesmo após toda comoção e destaque gerado por esse assassinato, ainda assim houveram mais ciclistas mortos em 2016, vítimas de motoristas irresponsáveis que se tornaram assassinos.

Por tudo isso vemos que 2016, apesar dos avanços, foi um ano bastante difícil para as pessoas que pedalam nessa cidade, tudo por conta do desrespeito de outras pessoas, que se transformam em sujeitos violentos quando estão guiando carros.

Torcemos que 2017 seja um ano de mais respeito à vida no trânsito, que nossos motoristas entendam que eles representam a maior parte dos perigos que temos nas ruas, e que por essa razão devem sempre tomar o máximo de cuidado quando estiverem guiando seus carros.

Nesse ano que virá nossas vias serão ainda mais ocupadas por bicicletas, ainda mais pessoas deixarão seus carros em casa para usarem a bike como veículo, nossas ruas ficarão mais vivas, e isso acarretará, como numa progressão geométrica, uma cidade ainda mais viva e ocupada, só precisamos que o desrespeito dos motoristas não atrapalhe isso, precisamos que em 2017 respeitem a vida das pessoas, algo extremamente simples, mas que não fizeram em 2016, assim sem dúvida alguma teremos um ano muito melhor.


Vinícius Reis

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